O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) aponta, claramente, para cenários climáticos nos quais o efeito antrópico é evidente. Os cenários do IPCC são mais sólidos no que se refere às características medias do clima terrestre. Por exemplo, a temperatura media da terra deve aumentar assim como as chuvas. Entretanto, ninguém vive no chamado "clima médio terrestre" e observa-se incerteza significativa quanto aos efeitos regionais apesar de ter havido grande progresso no último relatório quanto aos aspectos climáticos regionais. O IPCC também aponta para extremos climáticos mais freqüentes (secas , enchentes, ondas de calor e mesmo de frio). Portanto, é evidente que é preciso estabelecer políticas públicas que nos preparem para situações climáticas adversas mesmo considerando as incertezas. Em primeiro lugar, devemos aprender a conviver com a variabilidade climática natural. É preciso reconhecer que já tivemos flutuações climáticas de causas estritamente naturais de grande porte. Por ex., a década de 40-60 foi cerca de 15% mais seca no SE brasileiro que o período 70-90. Houve evidente impacto na utilização de recursos hídricos para a geração de energia elétrica e na agricultura. Esses eventos do passado recente precisam ser melhor estudados, do ponto de vista dos impactos sociais e econômicos. Outro aspecto fundamental que as políticas públicas devem abordar: quanto investir na redução das emissões versus adaptação? O custo da descarbonização da nossa economia precisa ser melhor avaliado. O custo da adaptação também necessita melhor quantificação. A decisão quanto ao caminho futuro depende de uma análise critica desses custos e do conhecimento mais detalhado dos cenários climáticos futuros.