Introdução: Estudamos dois procedimentos de alta complexidade utilizados para revascularização miocárdica: por cirurgia (RVMC) - 5.117 internações e por Angioplastia coronariana (AC) - 8.478 internações, no universo total de 68.375 internações no período de 1999 a 2003 no Estado do Rio de Janeiro.
Nos países membros da OECD, entre 1990 e 2000, a AC aumentou de 254% e a RVMC de 47%. Nos Estados Unidos, entre 1988 e 2003 o crescimento da AC foi de 253 %. Da RVMC foi de 69,4% entre 1988 e 1997 mas entre 1997 e 2003 registrou-se pequena redução relativa de 25%. No estado do Rio de Janeiro entre 1999 e 2003 a RVMC permaneceu estável em torno de 1.000 procedimentos por ano, mas a AC aumentou 140%.
Existem grandes variações da utilização desses procedimentos em diversos países, variando de mais de 400 procedimentos por 100.000 habitantes nos Estados Unidos para 1 por 100 mil no México ou 69 por 100 mil na Finlândia, evidenciando que as indicações dos mesmos são controversas.
Resultados:
1. As taxas de letalidade média no período até 30 dias pós procedimento foram: 3,0% para os homens e 3,4% para as mulheres na AC e 9,2% e 9,7% para homens e mulheres respectivamente na RVMC.
2. Um ano pós procedimento as taxas de letalidade foram: na AC - 6,9 % para homens e mulheres. Na RVMC - 11,8% e 15,5% para homens e mulheres respectivamente. Para os pacientes acima de 70 anos de idade atingiram cerca de 13% para a AC e cerca de 21% para a RVMC.
3. Na AC, complicações graves durante a internação como: insuficiência renal aguda, hemorragias necessitando transfusão, AVC, infarto agudo ou dissecção do vaso, persistência da angina e morte, verificamos taxas de 11%.
Discussão: Jabbour e cols, em estudo envolvendo diversas instituições, adotaram como prática, tratar clinicamente, todos os pacientes com angina pectoris estável com ou sem infarto do miocárdio prévio. Num período de seguimento médio de 4,7 anos, ocorreram apenas 0,8 % por ano de mortes cardíacas e 2,2% por ano de infartos não fatais. Neste período de acompanhamento, apenas 24,5% dos pacientes necessitaram angioplastia ou cirurgia de revascularização miocárdica. Este estudo nos ensina que se adotarmos uma estratégia de tratar clinicamente todos os pacientes com DIC estável e adotarmos critérios estritos e rígidos de indicação de coronariografia e posterior revascularização, a mortalidade anual por causas cardíacas pode ser abaixo de 1% e apenas ¼ dos pacientes, em período média de acompanhamento de quase 5 anos, poderá necessitar de revascularização miocárdica. Sendo assim, qualquer intervenção para beneficiar o paciente só atingirá o objetivo de prolongar a sobrevida ou de evitar infarto do miocárdio, se for capaz de oferecer riscos menores que os obtidos com o tratamento clínico e para isto é fundamental obter-se uma letalidade baixa para os procedimentos ditos de alta complexidade ou seja, menor que 2% para a RVM cirúrgica e < 0,5 % para a AC.
Conclusões: estamos internando mais DICs, realizando mais procedimentos de alta complexidade, com gastos maiores e com taxas de letalidade que precisam ser reduzidas. Este grave problema precisa ser enfrentado utilizando-se diversas estratégias.